História de Marcos



1ª versão



Marcos mora numa cidade próxima de São Paulo, capital do estado mais rico do país. É escriturário numa empresa de advocacia durante o dia e, à noite, dá aulas em escola pública. Tem quase 40 anos, é solteiro, mora em uma casa térrea sem quintal, no centro velho da cidade. Sua rotina é mais ou menos desse jeito.

Acorda ao toque estridente do despertador. Salta da cama, toma uma ducha, come o pão com manteiga e o café acabado de coar ainda quentinho no bule sobre o fogão e prepara-se para começar o dia, quando toca o telefone. Marcos se dirige a sala para atender. O aparelho instalado na parede da sala, em um pequeno console com um nicho onde fica o grosso catálogo de endereços telefônicos do ano, no local de acesso fácil a todos na casa. Enquanto caminha apressado, Marcos sonha com a possibilidade de ter uma extensão do telefone na cozinha e outra no quarto. Ele atende e, do outro lado, a telefonista solicita sua autorização para completar a ligação interurbana. É seu irmão que mora no interior comunicando que concluíra o curso de datilografia e pede sua ajuda para conseguir um emprego. Marcos desliga o telefone, termina o café e senta-se em sua escrivaninha buscando nas gavetas o bloco, caneta tinteiro e envelope. Escreve uma carta para um amigo, gerente de um escritório de contabilidade que precisava de um datilógrafo para preenchimento de formulários. Não deixa de apresentar um breve currículo de seu irmão destacando o curso recém-realizado, a quantidade de toques por minuto, além do domínio de operar máquina de Xerox e mimeógrafos. Fecha a carta lambendo a borda do envelope colocando-o dentro de sua agenda sobre a maleta de trabalho. Antes de sair bate os olhos nas manchetes do jornal sobre a mesa. Pega suas coisas seguindo para o ponto do ônibus. Enquanto espera, tira do bolso um mapa feito com lápis para rever o roteiro e linhas que teria que usar para chegar ao destino. Chegando ao centro da cidade, vai direto a agência dos correios, entra na fila, compra selos, cola-os no envelope e entrega ao funcionário que encaminha para remessa depois de carimbar o selo. Anda algumas quadras até sua agencia bancária e lá se dirige ao caixa para trocar um cheque que recebera em pagamento e pagar sua conta de telefone. Por ser o quinto dia útil do mês a fila é grande. No caixa, realiza as operações com a ajuda do funcionário e sobe para conversar com o gerente sobre os rendimentos da poupança. Sai do banco e passa no laboratório para pegar resultados de exames de rotina que fizera no início do mês. No caminho, dá uma parada rápida no cinema da cidade para ver a programação do mês. Caminha os sete quarteirões para chegar ao trabalho. Lá permanece até o final da tarde. Chega quase noite em casa. Verifica a caixa de correio em sua porta e retira as correspondências. Entra em casa e dirige-se para a escrivaninha e, com a espátula, abre um a um os envelopes analisando o conteúdo e separando por urgência de resposta. Novamente toca o telefone. Era da agência de turismo chamando-o para ir até lá ver a proposta de roteiro da viagem que solicitara para sua lua de mel que seria em breve. Depois de um banho e um jantar aquecido no fogão a gás, senta-se na sala para ver as notícias em um dos quatro canais de tevê e assistir a um filme na sua nova aquisição: o vídeo cassete para filmes em VHS. Ao terminar de ver o filme, rebobina a fita, desliga tudo e vai pra cama. No dia seguinte passa na agência para ver o plano de viagem e segue para a escola pública onde ministra aulas de Moral e Cívica no período noturno. Aproveita a tarde livre para preparar suas aulas. Vai até a biblioteca, separa alguns livros e, em posse de caderno e caneta, anota informações para acrescentar as do livro adotado pela escola. Depois passa na papelaria, compra uma folha de transparência em acetato e canetas apropriadas e um estêncil onde transcreve, usando sua máquina de datilografia, o ponto das lições a serem dadas na matriz. Vai mais cedo para a escola e, na sala dos professores, numa bancada equipada de retroprojetores e um mimeógrafo a álcool, instala o estêncil e reproduz, uma a uma, girando a pequena manivela, cópias para distribuir aos alunos. Para ilustrar com imagens e exemplos da sua explicação utiliza a transparência de acetato e as canetas desenhando um pequeno gráfico com os números da população por estado no país e segue para a sala munido do retroprojetor e cópias no papel. Termina a aula com a sensação de trabalho bem feito e segue para a sala dos professores onde o assunto é a insuficiência de retroprojetores e mimeógrafo (apenas um) para todos os professores e a novidade da papelaria do centro da cidade com uma copiadora da marca Xerox a preços facilitados para professor. Marcos entra na conversa enquanto observa a professora de geografia ampliando em cartolina um mapa dos rios da região para ilustrar sua próxima aula, entrecorta a conversa e oferece a ela as fotos que ele mesmo tirara e revelara recentemente sobre o rio Tietê. Marcos despede-se e vai para a rua do comércio pesquisar modelos e preços de tênis de futebol de salão. Entra na loja e vai até um vendedor que lhe mostra o modelo e informa o preço. Marcos anota em seu bloquinho e segue sua pesquisa. No fim da semana vai encontrar os amigos, conversar, ouvir a opinião e depois, quem sabe, decidir onde e qual tênis comprar.








2ª versão



Marcos mora numa cidade próxima de São Paulo, capital do estado mais rico do país. É escritor numa empresa de advocacia durante o dia e, à noite, dá aulas em escola pública. Tem quase 40 anos, é solteiro, mora em uma casa térrea sem quintal, no centro velho da cidade. Sua rotina é mais ou menos desse jeito.

Acorda ao toque estridente do despertador. Salta da cama, toma uma ducha, come o pão com manteiga e o café acabado de coar ainda quentinho da cafeteira elétrica e prepara-se para começar o dia, quando toca o celular. Marcos pega o celular que estava no bolso para atender. É seu irmão que mora no interior comunicando que concluíra o curso de informática e pede sua ajuda para conseguir um emprego. Marcos desliga a ligação, termina o café e senta-se em sua escrivaninha. Escreve um email para um amigo, gerente de um escritório de contabilidade que precisava de um técnico em informática para trabalhar com aplicativos. Não deixa de anexar um breve currículo de seu irmão destacando o curso recém-realizado, além do domínio de operar o computador. Envia o email. Antes de sair bate os olhos nas manchetes do jornal na internet. Pega suas coisas seguindo para o ponto do ônibus. Enquanto espera, abre o mapa no google para rever o roteiro e linhas que teria que usar para chegar ao destino.  Caminha os sete quarteirões para chegar ao trabalho e nesse meio tempo paga suas contas, vê o que vai ter no cinema no final de semana agenda um horário no médico, tudo pelo celular. Lá no trabalho permanece até o final da tarde. Chega quase noite em casa. Verifica seus emails e novamente toca o celular. Era da agência de turismo avisando que tinham enviado por email a proposta de roteiro da viagem que solicitara para sua lua de mel que seria em breve. Depois de um banho e um jantar aquecido no microondas, senta-se na sala para ver as notícias em um dos quatro canais de tevê e assistir a um filme na sua nova aquisição na netflix. Ao terminar de ver o filme,  desliga tudo e vai pra cama. No dia seguinte segue para a escola pública onde ministra aulas de Moral e Cívica no período noturno. Aproveita a tarde livre para preparar suas aulas. Vai até a biblioteca, separa alguns livros e, em posse de caderno e caneta, anota informações para acrescentar as do livro adotado pela escola. Depois tira um xerox de suas anotações.  Da a sua aula com slides no PPT. Termina a aula com a sensação de trabalho bem feito e segue para a sala dos professores onde o assunto é a insuficiência de projetores para todos os professores e a novidade da papelaria do centro da cidade com uma copiadora da marca Xerox a preços facilitados para professor. Marcos entra na conversa enquanto observa a professora de geografia imprimindo mapas para ilustrar sua próxima aula. Marcos despede-se e pesquisa modelos e preços de tênis de futebol de salão no seu celular. Entra na loja que achou mais em conta e vai até um vendedor que lhe mostra o modelo mais detalhadamente.  No fim da semana vai encontrar os amigos, conversar, ouvir a opinião e depois, quem sabe, decidir onde e qual tênis comprar.



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